Tecban Calçada – SP

Tecban Calçada – SP

Corporativo

Na hora de realizar uma obra, seja ela residencial ou corporativa, são muitos os detalhes para se pensar, tanto nas áreas internas como externas. Por isso, muita gente acaba se esquecendo de uma parte muito importante, que requer diversos cuidados: a calçada. Afinal, ela simboliza o elo entre o imóvel e a via pública e, assim, como outros espaços, deve ter segurança e uma estética apurada, além de estar de acordo com as normas técnicas do município. Para tirar as principais dúvidas, o arquiteto Bruno Moraes, do escritório Bruno Moraes Arquitetura, listou 7 itens que pedem muita atenção.
1. Primeiro contato
Segundo Bruno, é necessário se conscientizar que a calçada está totalmente relacionada ao projeto urbano. “Temos uma grande falha de percepção, pois a arquitetura das edificações sempre está relacionada com o urbanismo. É muito egoísta pensarmos somente no empreendimento isolado, sendo que ele se expõe para a cidade. A arquitetura deve conversar com o meio externo. Me incomoda muito edifícios sem nenhum detalhe, cor ou volumetria interessantes. Por isso, a calçada também deve interagir com o imóvel do qual faz parte e também com o contexto urbano”, revela.
2. Contrate um profissional especializado
Se engana quem pensa que fazer uma calçada significa apenas colocar concreto, já que existe uma série de aspectos que podem mudar completamente o visual e a qualidade do projeto. O arquiteto Bruno Moraes explica que é extremamente importante contratar uma equipe especializada no assunto.
“Para clientes de projetos residenciais ou comerciais, considero essencial contratar um arquiteto para desenvolver o projeto da pavimentação, indicar onde serão localizados jardins, bicicletários, parklets, mobiliários urbanos, como bancos, mesas, paginações da pavimentação, regras de acessibilidade, etc.” indica Bruno. Já para o caso de reformas grandes, há algumas empresas no mercado especializadas em reformas de pavimentação pública. “Aconselho esse tipo de serviço para a execução da obra, assim não haverá imprevistos com retrabalhos ou cronograma”, completa.
Na hora de gerenciar o fluxo de pedestres em segurança durante a reforma também é essencial contar com profissionais da área. “Não podemos simplesmente isolar o acesso pela calçada, porque isso pode gerar risco de acidentes. Precisamos criar alternativas para não impedir o fluxo, mesmo que desviando o pedestre para a rua, com todas as sinalizações de segurança para os carros desviarem”, indica Bruno Moraes.
3. Finalidade da calçada
Além da parte estética, o tipo de calçada será diferente de acordo com a utilização do imóvel – residencial, comercial ou corporativo. Por exemplo, se o local tiver um fluxo constante de veículos, como a entrada do estacionamento de um estabelecimento, ou uma empresa de transportes, com grande movimentação de veículos, será necessário um cuidado maior na escolha dos materiais. “A compra de revestimentos errados resultará na pouca durabilidade, trincas e até mesmo a chance de a calçada afundar com o peso”, diz. Por isso, o ideal é que o revestimento seja indicado para alto tráfego e possua uma malha adequada de ferragem por baixa da concretagem.
5. O que uma calçada precisa ter?
Não há uma regra definida, mas o arquiteto recomenda seguir todas as normas impostas pela prefeitura, inclusive as de acessibilidade, como piso guia para deficientes visuais, rampas para cadeirantes, entre outras exigências para tornar o espaço acessível. Outro exemplo interessante é sobre os canteiros verdes em calçadas, que também têm regras específicas de acordo com cada cidade. Em resumo, um item essencial é respeitar o espaço de circulação do pedestre, sem impactar na circulação, por isso, há uma largura mínima para ser respeitada.
6. Aprovação da Prefeitura
Dependendo da reforma será preciso aprovar na prefeitura, recolher RRT (Registro de Responsabilidade Técnica) ou ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), mas tudo vai depender do tipo de intervenção. O ideal é ter a consultoria de um profissional especializado em cada caso. “Se for preciso cobrir uma área atualmente descoberta, criar novos acessos, rebaixar a guia, entre outros itens, que geram intervenções maiores, é preciso aprovar na Prefeitura”, diz Bruno. “Porém, dependendo do quer for executar, mesmo não havendo a necessidade de aprovação, convém seguir várias normas já pré-estabelecidas, como o tipo de pavimentação adequada, largura da circulação para os pedestres, tamanho das áreas verdes, entre outras regras” conclui.
7. Principais erros
Em razão da falta de conhecimento sobre o assunto é comum encontrar erros, que representam perigos, nas calçadas das cidades brasileiras, Bruno cita os mais comuns:
- Moradores que plantam árvores e vegetações grandes, que posteriormente vão quebrar toda a calçada quando a espécie crescer, por falta de entendimento de paisagismo, sem saber como cresce aquela determinada raiz.
- Calçadas impróprias na frente do imóvel: mudar o tipo de piso da frente de casa pode implicar em riscos para os pedestres e problemas para os proprietários. Exemplo: caso o morador instale um porcelanato liso, ele será responsável caso alguém sofra um acidente ao escorregar, afinal não instalou um produto adequado.
- Guias rebaixadas na frente de imóveis, principalmente no comércio. Há uma regra que deve ser seguida e representa uma determinada proporção da largura da fachada da edificação. “Não é possível sair rebaixando tudo, de forma aleatória”, conta o arquiteto.
- Degraus nas calçadas. “Não podemos construir uma escada no meio de uma calçada, pois poderá interferir na circulação dos pedestres. Se for necessário construir uma escada para acessar o imóvel, ela deve ficar dentro dele e não na calçada”, alerta Bruno.

  • Fotografo: Luis Gomes
  • Local:São Paulo - SP
  • Projeto e Obra:Bruno Moraes Arquitetura